A dicotomia, ou seja, a divisão de um conceito cujas partes, geralmente, são opostas, é um tema recorrente nas artes. O cineasta americano Abel Ferrara, mantendo sempre a imparcialidade e não fixando uma opinião sobre qual seria o certo ou o errado, expõe na totalidade de suas obras a dualidade mais clássica de todas: a oposição entre o bem e o mal. Ferrara se sustenta no sentido cristão ocidental, que essas duas palavras carregam, para desenvolver a sua forma de apresentar o universo de seus filmes ao expectador. Abel Ferrara é, provavelmente, um dos diretores mais prolíferos de sua geração. Em tempo algum ele se apegou a um gênero ou a uma forma de dirigir, pelo contrário, quando filma, ele se adapta à idealização de seu olhar naquele momento específico. O que significa isso? Significada que para cada gênero que Ferrara dirigiu, seja um slasher, um neo-noir, um filme de máfia, um romance ou até mesmo um documentário, e para cada roteiro que ele teve em mãos ele apresentou u...
Quando decide-se contar uma história algumas escolhas precisam ser tomadas . Primeiramente, deve-se sair do senso comum , se afastar da narrativa central e observar de forma imparcial todos os pontos de vista pertencentes àquela historia. Nesse momento, o contador de histórias opta por qual será a perspectiva utilizada para apresentar ao mundo determinado universo. É Tudo a Mesma Cidade (2023) , desenhando de forma nítida os contornos de seu personagem principal, é um filme que compreende isso. O curta nos apresenta Ronaldo Batista de Sales — Magão, personalidade que poderia preencher dezenas de minutos de película, ao levar-se em consideração a importância do nome dele para o Rio Grande do Norte e para o carnaval do Brasil. Entretanto, de forma consciente e minimalista o roteirista e diretor Júlio Oliveira decide por abordar um olhar sobre Magão que não seria manchete em um tabloide. Na década de 80 Magão fundou o bloco carnavalesco Ala Ursa do Poço de Sant’Ana — o bl...
Ontem, inconscientemente, me bateu uma vontade tremenda de assistir, pela milionésima vez, Rambo VI (2008) . Esse anseio inquietou a minha mente fazendo com que eu parasse o que estava fazendo para refletir a respeito desse desejo. No meio das minhas reflexões me lembrei que uma parte da cinefilia que conheço considera esse filme, Rambo VI , um Guilty Pleasure . E então, a partir desse momento, comecei a realizar um exercício mental a respeito da relevância desse termo para a cinefilia, em geral. Chequei a abrir um questionamento no meu instagram para que os meus seguidores se pronunciassem a respeito do que achavam sobre esse termo. Para minha grata surpresa as respostas que recebi no questionamento tinham um flerte com a minha opinião a respeito do assunto. Guilty Pleasure , na minha opinião é uma máscara que alguns cinéfilos usam quando falta a coragem para assumir para Deus e o mundo que, legitimamente, gostou de um filme. Muitas vezes esses cinéfilos se encontram inse...
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